sábado, 22 de agosto de 2026

Alagoas : Advogada é morta por engano em Maceió após assassino do CV receber ordem do Rio

 


A advogada Ana Walesca do Nascimento Gomes, de 33 anos, foi  morta por engano depois que uma ordem atribuída ao CV (Comando Vermelho) teria sido interpretada de forma equivocada pelo executor. Filha de um policial civil, ela foi assassinada a tiros na última terça-feira enquanto passeava com o cachorro pelo bairro Benedito Bentes, na periferia de Maceió.

De acordo com a polícia, Ana teria sido assassinada no lugar de outra mulher, que era o verdadeiro alvo de uma ordem de  morte dada por integrantes da facção escondidos no Rio de Janeiro. A mulher procurada teria envolvimento com o tráfico de drogas na região e havia perdido uma pistola e aproximadamente 200 gramas de cocaína pertencentes ao CV. Como não conseguiu ressarcir o prejuízo causado à facção, uma ordem para matá-la teria sido determinada.

Dois homens participaram da execução do  crime. Um dos suspeitos foi preso e o outro morreu durante uma ação policial. As identidades deles não foram divulgadas.

Segundo o delegado Igor Diego, o assassinato teria sido ordenado e coordenado à distância por um traficante conhecido como “Rafinha 99”, apontado pela investigação como uma liderança do CV no Rio de Janeiro.

“Esse indivíduo já ordenou diversos homicídios”, conta o delegado Igor, que é coordenador da DEIC (Divisão Especial de Investigação e Capturas).

A ação teria contado com dois executores ligados ao CV: um homem responsável por pilotar a motocicleta e outro que efetuaria os disparos. O condutor, que também seria proprietário da moto, foi localizado ainda na quarta-feira, preso e confessou participação no crime.

“Ele nos passou todo o percurso que fez com a motocicleta. Ele cobriu a placa para que não fosse pego pelos radares”, diz.

Em depoimento, o homem alegou que, depois de subir na motocicleta, o atirador iniciou uma videochamada com Rafinha, que teria passado a orientar os envolvidos durante a ação.

“Eles receberam a foto da mulher que deveriam executar, e o Rafinha foi dizendo quais eram as ruas para que eles chegassem até o local. Ao chegarem na rua que achavam ser a que ela morava, o atirador já desceu da motocicleta e efetuou o primeiro disparo de arma de fogo pelas costas de Ana”, diz.

Em seguida, conforme relatou o delegado, o próprio Rafinha teria informado que a mulher atingida não era o alvo correto.

“Mesmo diante dessa situação, o indivíduo continuou efetuando disparos. Ele então vai atrás e atira nas costas e na nuca, quando ela caiu. E ele foi lá, com ela caída, e deu mais um disparo na cabeça”.

Igor Diego também afirmou ter questionado o piloto da motocicleta sobre o conhecimento dos envolvidos a respeito da profissão de Ana e do fato de ela ser filha de um policial civil.

“No interrogatório desse piloto, perguntei se eles sabiam que a mulher que estava sendo executada era uma advogada e também filha de um policial civil. Eles disseram que não tinham esse conhecimento, só tomaram conhecimento quando o fato foi divulgado nas redes sociais”, disse Igor Diego.

Ainda segundo o delegado, o condutor declarou aos investigadores que o atirador decidiu continuar com a execução mesmo depois de saber que havia atingido a pessoa errada, agindo “por pura perversidade”.

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