A rua até hoje é considerada uma rua nobre no bairro de Laranjeiras. Entretanto, nos anos 70 , do início até 1977, era um 'point' onde mais de 100 jovens de classe média e classe alta se reuniam na esquina para programar encontros, viagens e beber cerveja nos bares.
Só que além disso, uma parte destes jovens se dedicava ao tráfico de entorpecentes, quase que exclusivamente maconha e LSD.
A maconha vinha de diversas fontes, desde a que era fornecida a jovens que iam buscar pelo pai do 'Cy de Acari' na favela da Zona Norte. Outra parte era um traficante mais velho que a rapaziada que vinha lá favela Kelson's , que fica ali antes da Vila do João e por detrás da antiga fábrica de bolsas Kelsons. Este traficante ainda impunha à rapaziada que quando ele 'colocava o movimento' a galera de Laranjeiras não podia vender maconha.
Inclusive, uma vez depois de ele avisar que iria 'colocar o movimento' no final de semana e não ser atendido por um elemento mais agressivo da galera que eventualmente traficava maconha ele 'não fez por menos'. Ao se deparar com a criatura também traficando ele sacou um revólver cal. 38 e disparou vários tiros contra a pessoa, por sorte, dessa pessoa evidentemente, nenhum tiro o acertou , mas ele nunca mais quis confrontar o 'Baixinho', como era conhecido do traficante da Kelsons.
O LSD era vendido exclusivamente por um engenheiro eletrônico, funcionário de uma rede de TV, que tinha conexões na Inglaterra e de lá recebia a droga, Na época a fiscalização nos aeroportos e Correios era bem mais frágil.
O combate ao tráfico era feito de forma intensa pela Polícia Civil, no caso as equipés da 9a Delegacia de Polícia e pelas equipes da antiga Delegacia de Entorpecentes, ambas muito temidas pelos jovens.
Já a PM aterrorizava este pessoal quando descia do alto da 1a Companhia Independente da Polícia Militar o pessoal do então COE - Companhia de Operações Especiais, o embrião do BOPE, conhecido pela turma como 'os boinas pretas'.
Estes quando apareciam em três jipes ou pick ups causavam medo de verdade naquela turma de usuários e vendedores de drogas,
A venda e o consumo de drogas na rua aconteciam quase 24 horas por dia para o desespero de moradores. Naquela rua , afinal, morava um jovem que viria a ser um saxofonista de fama internacional e um integrante do cultuadíssimo conjunto 'A Barca do Sol', endeusado por Egberto Gismonti. Ali também aparecia policial militar originário da galera que por ser altamente viviado em cocaína acabou expulso, conhecido como 'Luiz Maluco'. Volta e meia bordejava por ali também um copacabanense , que mais tarde viria a ser conhecido como um perigoso marginal e homicida ' Mauricinho Maluco', causador da 'chacina de Piabetá', pela morte de um conhecido do Raul Seixas morto em Copacabana ao constatar que 'Mauricinho' queria lhe vender um quilo de açúcar ao invés de cocaína como tinha encomendado. Esse crime levou um pessoal de Copacabana que também sempre estava em Laranjeiras a fugir para Piabetá onde acabaram sendo chacinados por um traficante da Baixada.
Um saudoso radialista do programa 'Patrulha da Cidade', famoso programa de rádio da época bradava contra essa situação em Laranjeiras.
Com o tempo vários dali morreram em acidentes de moto, foram internados quase loucos em clínicas psiquiátricas, outros morreram de overdose e a maior parte amadureceu deixando a esquina e o uso e venda de drogas. A famosa esquina foi se esvaziando até não acontecer mais nada ali.
O nome da rua? A famosa e nobre General Glicério, onde a também 'famosa' 'Turma da GG' parava.
Essa é a historia... .
Segadas Vianna - jornalista



Sem comentários:
Enviar um comentário