Em 2004 a pessoa com quem eu trabalhava e iria se candidatar a um cargo eletivo pediu se eu podia me reunir com o pessoal da associação de moradores da Carobinha, uma comunidade no bairro de Campo Grande.
Como eu conhecia por informações de uma pessoa, por sinal minha saudosa sogra, que já havia feito uma ação social na Carobinha, me falado de um gari que era o presidete da associação de moradores , no dia e hora marcados peguei meu carro poarticular, uma pick-up e lá fui para a Carobinha.
Entrei na comunidade e logo na entrada era a sede da associação de moradores. Parei e disse a um rapaz que estava na porta: 'Vim para a reunião política marcada por 'fulana'. Imendiatamente ele me disse de forma muito simpática : 'Pode chegar e seja bem vindo, agora o presidente da associação sou eu".
Saltei e ele me disse , 'vamos até ali em casa que o resto do pessoal está lá aguardando para a reunião'.
Ao entrarmos na casa havia na sala mais cinco homens e aí o presidente da associação passou às apresentações: 'Bom, aqui eu sou ex PM e aqui na sala todos são PMs ou ex PMs e somos a milícia que agora manda na Curicica'.
Gelei por dentro, mas fazer o que? Iniciei a conversa, expus a solicitação da pessoa que havia me mandado lá e ouvi como resposta: '250 mil reais, é o nosso preço para ela fazer campanha aqui.'. Disse que ia levar a situação à ela e me despedi, doido para sair dali já me dirigi para pegar meu carro.
Vã esperança... . NO que botei o pé na rua os milicianos vieram e disseram: 'ah, o sr. não pode ir embora sem conhecer a comunidade'. Em seguida quatro se empoleiraram na caçamba da pick-up e outro entrou comigo na cabine. E começaram, 'entra aqui, entra ali', e vamos rodando por dentro da Carobinha. Em um certo ponto, o que estava na cabine comigo me diz: ' essa parte a gente aluga para o tráfico'.
Eu logo falei, 'ah que ótima comunidade, pena que eu tenho um compromisso e já estou atrasado. Preciso ir e depois me comunico com vocês'.
Eles me acompanharam até a saída da comunidade e parti da avenida Brasil para meu local de trabalho. Ao chegar dei a maior bronca em quem havia marcado a reunião e me metido naquela 'roubada'.
Indaguei a alguns conhecidos sobre maiores detalhes sobre a situação na Carobinha e soube que dois dias antes de eu ir lá a milícia havia tomado a comunidade e degolado o antigo presidente da associação, o tal gari, e exposto sua cabeça em uma mesa de sinuca em um grande bar na entrada da comunidade.
O pessoal da fé chama esta minha situação de 'livramento', eu nem sei , só pude agradecer sair de lá ileso e mujmca mais voltar.
Segadas Vianna - Jornalista


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