sábado, 5 de setembro de 2026

História real, de horror, de um usuário de cocaína injetável nos anos 80

 Conto essa história com tristeza, mas com tranquilidade, pois quem me a relatou já faleceu,


Ele compra cerca de 20g de pasta base de cocaína com um conhecido recém chegado da Amazônia. Compra também umas dez seringas, daquelas de uso de insulina , sua preferidas. Não tendo um lugar seu para fazer uso da droga vai para uma pequena hospedagem na Lapa onde aluga um quartinho.

Começa a usar e de repente ele ouve em um dos andares abaixo: - Abre que é a polícia! Sentindo que policiais revistavam os quartos da hospedaria ele resolve sair dali, mas deixa sob o colchão uma seringa com uma grande dose de cocaína, Consegue sair, mas totalmente drogado entra em uma outra farmácia próxima , compra mais seringas e entra em outra hospedaria quase ao lado.


Ao entrar no novo quarto ele prepara duas serigas e injeta a cocaína das duas uma em seguida da outra e cai ao chão convulsionando e implorando a Deus que não o deixasse morrer em uma hospedaria da Lapa. Consegue se recuperar e ouve pela janelinha do quarto vozes falando: - eu tinha certeza que ele não iria longe e compreende, apesar de seu estado que deveriam ser os policiais lhe procurando. 

Sem ter para onde sair ele entra no banheiro coletivo do andar onde mesmo sendo procurado ele injeta mais uma dose, ainda respondendo a alguém que batia na porta do vaso sanitário: - Tem gente. Dali ele sai e invade um quarto próximo onde ameaça o hóspede com a seringa pedindo que não fosse denunciado, mas ele sabia que logo a polícia também iria ali. Sai então e volta para seu quarto onde se esconde debaixo da cama. Vê as pernas de um empregado da hospedaria que falava: - tenho certeza que pela porta da saída ele não passou e de repende o empregado olha sob a cama evendo-o grita: - ele está aqui debaixo da cama!


Desesperado sem ver saída ele entra dentro de um armário que havia no quarto e escuta do lado de fora do armário os policiais, que até ali não sabiam quem era ele, se estava ou não armado, dizendo: pode abrir, sai daí , não tem problema. E ele nada, mudo e agarrado à sua droga. Então escuta um dos policiais dizer: - vou buscar reforço e a gente tira ele daí de qualquer jeito.  
Ouve a porta do quarto ser trancada e apenas o silêncio e aí ele sai do armário confirmando o trancamento da porta e começa desesperado a tentar arrancar a tela da janelinha do quarto que dava para o corredor. Aumenta o desespero e ele se joga de cabeça contra a tela e consegue cair do lado de fora do quarto e no ato ele vê vários policiais adentrando o corredor do 3o andar onde ele estava e gritando: - olha ele ali!

Encurraladao ele vê o vão das escadas que davam na portaria e se joga de pé por ali. Bate no chão lá embaixo e mesmo sentindo uma dor lancinate em um dos tornozelos sai correndo pela saída da hospedaria e uns metros adiante em uma rua paralela embarca em um táxi pedindo para ir a um determinado bairro. Ele escapa de toda essa situação e à noite acaba sendo encontrado nas ruas por amigos que o acolhem e o levam de volta à família. Muitos amigos e conhecidos diziam que Deus havia sabe-se lá porque colocado as mãos sobre ele protegendo-o. 

Quem sabe...?

Assim termina esse episódio, essa história de puro horror onde o que restava era sua calça jeans banhada em sangue que havia escorrido de suas veias centenas de vezes perfuradas pelas seringas.

E ele, abalado e machucado, pois havia quebrado o tornozelo aos saltar pelo vão da hospedaria, mas à salvo em casa de sua família.


Segadas Vianna - jornalista

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