sábado, 19 de setembro de 2026

Plástico derretido, pedregulho e tiros nos pés: como Ronaldo Henrique, de 14 anos, foi torturado pelos traficantes da favela Cesar Maia (CV) antes de ser executado (vídeos)

 


Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de apenas 14 anos, foi submetido a uma sequência de agressões que incluiu queimaduras com plástico derretido, golpes com pedregulho, ferimentos provocados por faca e disparos efetuados próximos aos seus pés antes de ser executado por criminosos do Comando Vermelho na comunidade César Maia, na Zona Sudoeste do Rio. O corpo do adolescente foi posteriormente esquartejado e encontrado em um rio.

Os detalhes da violência aparecem nos elementos reunidos na investigação e analisados pela Justiça. Segundo os relatos constantes dos autos, Ronaldo estava acompanhado de outros dois adolescentes quando os três foram capturados e conduzidos para dentro da comunidade.

Depois de tentarem retornar, os adolescentes foram novamente capturados. Eles tiveram os aparelhos celulares inspecionados pelos criminosos e foram levados para um terreno próximo a uma criação de porcos. No local, havia cerca de 15 homens, segundo declaração prestada por K, um dos sobreviventes, próxima aos fatos e antes mesmo da identificação nominal dos suspeitos. Foi nesse terreno que ocorreram as agressões. Ronaldo sofreu golpes com pedregulho, queimaduras provocadas por plástico derretido e ferimentos com faca. Os relatos também apontam que disparos foram efetuados próximos aos pés do adolescente. B.S.O também foi submetido às queimaduras com plástico derretido e a agressões. Posteriormente, os três adolescentes foram levados para um segundo local, próximo a uma ponte.

Apenas dois sobreviveram.

Kauã e Bernardo foram liberados, enquanto Ronaldo permaneceu nas mãos dos criminosos. Isabela confirmou ter visto os três adolescentes sendo reconduzidos coercitivamente para o interior da comunidade. O corpo de Ronaldo acabou sendo encontrado esquartejado em um rio.

SUSPEITA SURGIU A PARTIR DE FOTO NO CELULAR

Segundo os elementos descritos no processo, a captura dos adolescentes ocorreu depois que criminosos tiveram acesso aos aparelhos celulares das vítimas. A investigação aponta que Ronaldo teria sido alvo dos traficantes após ser encontrada em seu celular uma fotografia em que fazia com os dedos o sinal de “três”.

vídeo https://x.com/diretodomiolo/status/1637254670463770625/video/1

vídeo https://x.com/diretodomiolo/status/1637254670463770625/video/2

O gesto teria sido interpretado pelos criminosos como uma referência ao Terceiro Comando Puro, facção rival do Comando Vermelho. Ronaldo, segundo as informações apresentadas na acusação, não tinha envolvimento com o tráfico. O adolescente sonhava em ser mecânico e praticava muay thai.

DEPOIMENTOS DESCREVERAM A TORTURA

A acusação contra Diogo Paixão Barbosa, um dos envolvidos, não está baseada exclusivamente nos reconhecimentos fotográficos.

Kauã já havia relatado, antes da identificação nominal dos suspeitos, a condução das vítimas, o terreno próximo à criação de porcos, a presença de aproximadamente 15 homens, as queimaduras com plástico derretido, os disparos próximos aos pés de Ronaldo, os ferimentos provocados por faca e a transferência para um segundo local.

Posteriormente, Kauã e Bernardo reconheceram Diogo e atribuíram a ele participação em atos determinados de agressão e tortura contra as vítimas.

O exame de corpo de delito realizado em Bernardo constatou queimaduras e lesões produzidas por ação contundente, elemento que, segundo a Justiça, corrobora a narrativa apresentada pelos sobreviventes.

Os depoimentos de B e K também convergem em pontos considerados centrais pela acusação: a condução para a comunidade, a captura quando tentavam retornar, a inspeção dos aparelhos celulares, o transporte para o terreno próximo à criação de porcos, a presença do grupo armado, as torturas, a transferência para outro local e a liberação apenas dos dois sobreviventes.

GRUPO ARMADO TINHA ESTRUTURA PARA DECIDIR O DESTINO DAS VÍTIMAS

Os autos também apresentam informações sobre o funcionamento do grupo criminoso que dominava a comunidade César Maia.

Relatórios de inteligência mencionados no processo apontam a existência de uma estrutura hierárquica e elementos relacionados à própria dinâmica do crime, como a rápida mobilização de numerosos agentes, o emprego de armas, motocicletas e automóvel, a condução das vítimas para locais controlados, a divisão de tarefas e a presença de seguranças.

A investigação aponta ainda a atuação de “VT” como liderança e o contato com “Doca” para a palavra final sobre o destino das vítimas.

Também são mencionadas ameaças dirigidas a moradores e testemunhas.

CINCO INTEGRANTES DO CV VIRARAM RÉUS


Cinco integrantes do Comando Vermelho passaram a responder pelo caso na Justiça, entre eles Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como uma das principais lideranças da facção.

Quatro executores do crime já foram presos pela Polícia Civil. Doca permanece foragido da Justiça.

A acusação atribui a Diogo Paixão Barbosa participação na captura e condução dos adolescentes, nas agressões contra Ronaldo, nos golpes desferidos com pedregulho e no emprego de plástico derretido contra Ronaldo e Bernardo.

A Justiça entendeu que há elementos suficientes para que a acusação prossiga e seja analisada durante a instrução do processo.

O caso, porém, ainda será submetido à fase de produção de provas. Eventuais responsabilidades individuais deverão ser definidas ao longo da ação penal.

Para Ronaldo, entretanto, a violência terminou antes que pudesse haver qualquer defesa: aos 14 anos, o adolescente foi submetido a queimaduras com plástico derretido, golpes de pedregulho, ferimentos de faca e disparos próximos aos pés, antes de ser executado e ter o corpo esquartejado.

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