Traficantes do Brasil tentaram novamente contrabandear cocaína para a África do Sul via porto de Durban, mas as autoridades brasileiras interceptaram a carga de quase 100 kg antes que ela saísse do país. Paralelamente, um suspeito compareceu a um tribunal local em relação a uma carga de cocaína avaliada em 200 milhões de rands, vinda do Brasil, que desapareceu de uma instalação da unidade "Hawks" em KwaZulu-Natal.
Na semana passada, autoridades brasileiras interceptaram 98,5 kg de cocaína que tinham como destino a África do Sul. A droga estava escondida dentro de cilindros metálicos lacrados, em um contêiner de carga situado em um terminal privado no Porto de Paranaguá.
"O contêiner tinha como destino o Porto de Durban, na África do Sul, o maior e mais movimentado terminal de cargas e contêineres do continente", informou a Receita Federal do Brasil.
Essa foi a segunda apreensão recente de cocaína em Paranaguá. Em 27 de agosto, a polícia brasileira descobriu uma carga de 33 kg escondida em um contêiner no porto — remessa que a Polícia Federal confirmou ter como destino a África, embora não tenha especificado o local exato de entrega.
A Comissão Madlanga — que atualmente investiga alegações de que um cartel de drogas, o "Big Five", infiltrou-se no sistema de justiça criminal, na esfera política e no setor privado da África do Sul — tem ouvido repetidamente depoimentos e visto evidências que ligam Durban ao tráfico de cocaína em larga escala.
A comissão ouviu relatos de que o "Big Five" trazia drogas da América do Sul, frequentemente passando por Durban, e que as cargas eram então transportadas para Gauteng, de onde eram distribuídas localmente e para o exterior.
Os depoimentos na comissão voltaram a atenção para as operações no porto de Durban, mas isso claramente não intimidou os traficantes. Enquanto isso, novas informações de inteligência vindas do Brasil lançam mais luz sobre as figuras-chave por trás das rotas de abastecimento que visam a África do Sul.
No final do mês passado, Willian Barile Agati, acusado de ser um membro de alto escalão da notória facção brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC), não conseguiu obter sua liberdade da custódia estatal, onde permanece detido sob acusações ligadas ao tráfico de drogas.
A mídia brasileira noticiou recentemente que Agati está detido desde janeiro de 2025.
Uma decisão de um tribunal superior proferida no ano passado detalhou as acusações contra ele e esclareceu aspectos do funcionamento do PCC — organização que parece manter vínculos com a África do Sul. A sentença revelou que Agati está sendo investigado por tráfico internacional de drogas e pela lavagem de milhões de dólares, utilizando supostamente aeronaves particulares e embarcações marítimas para transportar remessas ilícitas. As autoridades suspeitam que ele atuou como um elo fundamental entre o PCC e a poderosa máfia italiana 'Ndrangheta, que uniram forças para gerir rotas globais de abastecimento.
A decisão judicial também acusou Agati de lavar dinheiro para o líder do PCC preso Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como "Fuminho". O tribunal observou que "Fuminho era um membro de alto escalão do PCC, com envolvimento significativo no tráfico de drogas em todo o continente africano".
O *Daily Maverick* noticiou em 2022 que Dos Santos havia vivido em Joanesburgo sob uma identidade falsa.
Constatou-se que Agati tentava estabelecer a presença do PCC em Moçambique e facilitar a estadia de Aparecido no país.
Dos Santos foi preso em Moçambique em 2020.
Agati teria então tentado obter a liberdade de Dos Santos oferecendo pagamentos ilícitos a autoridades. Outras acusações detalham como Agati coordenava o transporte internacional de "grandes quantidades de cocaína" usando aeronaves particulares e rotas marítimas — especificamente escondendo a droga dentro de contêineres no Porto de Paranaguá, onde a remessa com destino à África do Sul foi interceptada na semana passada. A sentença também alegou que Agati e outro acusado de tráfico, Edmilson de Meneses — que morreu atropelado por um ônibus em 2024 —, estavam por trás de quatro assassinatos ligados ao roubo de duas grandes remessas de cocaína destinadas à Espanha.
Um roubo de cocaína ocorrido na África do Sul também pode estar ligado a assassinatos locais, evidenciando mais semelhanças entre o submundo do narcotráfico no Brasil e na África do Sul.
Em 2021, uma remessa de cocaína avaliada em 200 milhões de rands foi interceptada em um depósito de contêineres em Isipingo, a cerca de 20 km de Durban. A Comissão Madlanga ouviu relatos de que a carga estava armazenada no prédio da unidade Hawks em Port Shepstone — local com segurança precária —, de onde foi posteriormente roubada.


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