Tudo começou com um iate norte-americano na costa da Costa Rica.
O desfecho foi a prisão de três homens e a apreensão de mais de 800 quilos de cocaína quase pura — avaliada em mais de US$ 17 milhões —, que, segundo as autoridades, tinha como destino os Estados Unidos. Agora, o caso está sendo processado pelas autoridades federais de Wisconsin, no que descrevem como uma das maiores apreensões de drogas já levadas a julgamento no estado.
É provável que a cocaína fosse misturada a outras substâncias; portanto, a estimativa de valor de US$ 17 milhões é muito inferior ao montante que a quadrilha teria obtido com a venda da droga, explicou Brad Schimel, primeiro-assistente do Procurador dos EUA para o Distrito Leste de Wisconsin, durante uma coletiva de imprensa em 20 de outubro.
"Uma quantidade enorme de cocaína pura foi impedida de chegar às comunidades nos Estados Unidos", afirmou Schimel.
Schimel anunciou a extradição e a prisão, ocorridas em 19 de outubro, de Miguel Ángel Campos-Barragán, Giovanni Vidrio-López e Eustaquio Espinosa-Hernández. Segundo ele, os três homens tinham vínculos com o Cartel de Sinaloa, uma notória organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas.
A coletiva de imprensa ocorreu cerca de três meses após as autoridades federais denunciarem os homens por duas violações das leis marítimas referentes a entorpecentes. Schimel relatou que as autoridades costarriquenhas interceptaram o iate — registrado nos EUA e batizado de "My Lisa Too" — e as forças de segurança realizaram a apreensão da droga.
Embora não esteja totalmente claro onde a droga seria distribuída, a "rota" indicava que o destino final eram os Estados Unidos, disse ele.
Schimel reconheceu a aparente atipicidade de um caso como este ser processado em Wisconsin. Ele explicou que os procuradores federais dos EUA têm competência para processar qualquer crime cometido contra o país, ressaltando que as autoridades federais sediadas em Wisconsin desempenharam um papel fundamental no caso.
O anúncio foi feito por Schimel ao lado de Todd Smith, agente especial encarregado do escritório da DEA (agência antidrogas dos EUA) em Chicago, e de Alan Karr, agente especial encarregado do escritório do FBI em Milwaukee. Smith afirmou que um membro do Departamento de Polícia de Milwaukee também participou da investigação.
A extradição também foi um caso inédito, uma vez que foi viabilizada por uma recente emenda constitucional na Costa Rica, disse Schimel.
Campos-Barragán, Vidrio-López e Espinosa-Hernández compareceram ao tribunal pela primeira vez em 19 de outubro.
O caso fez parte da Força-Tarefa de Segurança Interna (Homeland Security Task Force), um grupo federal que reúne diferentes agências.


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