Um homem de Nova York, acusado de drogar até a morte uma estudante universitária de Manhattan com fentanil e, em seguida, estuprá-la no quarto do dormitório, teria enviado fotos da vítima seminuas para amigos — levantando questionamentos sobre se ela ainda estaria viva caso ele tivesse pedido socorro mais cedo.
A atitude, considerada insensível, do predador sexual Moises Freire, de 19 anos — que administrou fentanil, disfarçado de cocaína, à estudante Annabel Richter e à sua colega de quarto —, veio à tona na sexta-feira, enquanto a família da vítima lamentava a perda da “jovem brilhante e linda”.
“Annabel era cheia de vida”, disse a mãe de Richter, Flavia Rocha, ao jornal *The Post*. “Ela entendia muito de música e arte, e tinha uma risada contagiante. Sua presença preenchia o ambiente. Para nós, sua família e seus amigos, ela era, e sempre será, nossa querida Bel.”
A mãe, em luto, acrescentou: “Não quero imaginar um mundo onde os crimes contra as mulheres sejam incontáveis. Bel e eu costumávamos conversar sobre como as mulheres que sofrem violência raramente têm voz. Espero que a história de Annabel traga conscientização e que se faça justiça”.
Segundo documentos judiciais chocantes, tornados públicos na quinta-feira, Freire havia dito às jovens, antes das overdoses ocorridas em março, que estava trazendo cocaína do México — mesmo tendo experimentado o fentanil uma semana antes e, em uma mensagem a um amigo, descrito a substância como “veneno”.
Freire, que não era estudante do FIT, teria entregue a droga perigosa às duas vítimas no quarto do dormitório, na faculdade localizada no bairro de Chelsea, na noite de 18 de março. Ambas perderam a consciência imediatamente e foram hospitalizadas; uma delas faleceu três dias depois, segundo a Procuradoria Federal de Manhattan.
Freire, que permanece detido sem direito a fiança e aguarda julgamento marcado para março de 2027, teria esperado cerca de 45 minutos antes de entrar em contato com a segurança do campus.
Durante esse período, ele teria enviado, por mensagem, fotos das vítimas inconscientes para amigos. Uma das imagens mostrava a mulher que ele teria estuprado, nua da cintura para baixo. Ele também mentiu para a segurança do campus, alegando que as duas mulheres estavam inconscientes apenas porque tinham bebido demais — e afirmou que, de alguma forma, não percebeu que sua vítima estava desmaiada até terminar de manter relações sexuais com ela, segundo os promotores.
“É realmente difícil acreditar que o réu — que parecia totalmente coerente e sóbrio na ocasião, que não havia consumido nenhuma substância e que aparece na câmera corporal do segurança parecendo coerente e sóbrio — não soubesse o que estava acontecendo enquanto mantinha relações sexuais com a vítima, que estava completamente inconsciente”, disse a promotora Ariana Bloom em uma audiência judicial realizada em abril.
A segurança do campus constatou que as mulheres sofriam de intoxicação aguda por fentanil; os agentes prestaram socorro imediato e administraram Narcan antes que elas fossem levadas às pressas para o hospital, informaram os promotores.
A mulher que foi estuprada nunca recuperou a consciência no hospital e faleceu dias depois, em 21 de março, segundo a denúncia.
Friere deve retornar ao tribunal no dia 28 de outubro para responder a acusações mais graves: distribuição de substância controlada com a intenção de cometer estupro, além de outras acusações relacionadas a entorpecentes. Se condenado, ele enfrenta uma pena mínima de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua.
Brian Peralta Cabrera, de 18 anos, morador do Queens e amigo do acusado, foi denunciado separadamente por conspiração relacionada a entorpecentes, sob a alegação de ter ajudado Friere a obter o fentanil — substância que se mostrou fatal. Um terceiro homem, Harry Rosales Pino, declarou-se culpado pela distribuição de entorpecentes que resultou em morte.
Os advogados nomeados pelo tribunal, que representam os três homens, não responderam prontamente, na sexta-feira, aos pedidos de comentário. No início deste ano, o advogado de Friere declarou ao tribunal que o acusado de estupro mantinha uma “relação sexual” consensual com a suposta vítima no ano que antecedeu a morte dela.



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