
Enio
Um dos alvos da Operação Silenciar, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (14), é o advogado Ênio Martimiano da Cunha Júnior, preso suspeito de envolvimento no homicídio de Gabriel Martins Pereira, de 25 anos, ocorrido em 8 de novembro de 2024, no bairro Siriema, em Cuiabá. Além dele, outros dois homens foram presos e um quarto alvo está foragido. A polícia acredita que esteja escondido no Rio de Janeiro.
De acordo com o delegado Michael Paes, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a investigação durou dois anos e foi concluída com mandado de prisão de 4 alvos. O inquérito aponta que o advogado teria se apresentado como defensor de Gabriel após ser o rapaz ser preso com 100 kg de drogas. Em seguida, teria o levado para local onde foi torturado e executado.

Gabriel
Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por vingança. Gabriel havia sido preso com 100 kg de drogas durante uma ação da Polícia Militar. Ao ser conduzido para a central de flagrantes, Ênio se apresentou como advogado dele.
Apesar da quantidade significativa de drogas apreendida com o suspeito, ele foi solto, pois na ocasião entendeu-se que não havia elementos suficientes para o flagrante. De acordo com o delegado, membros de uma facção e donos da droga desconfiaram que Gabriel tivesse dado informações para a polícia.
“O advogado que foi fazer a defesa dele, acompanhado de outro membro da facção, levaram ele, pegaram mais dois membros, sendo um disciplina da época e o proprietário da droga”, explica o delegado sobre a participação dos 4 alvos no crime.
Na sequência o grupo levou Gabriel para uma estrada em um local ermo e o torturaram até a morte. Conforme o delegado, o laudo de necropsia identificou que o corpo da vítima foi alvejado com 16 disparos de arma de fogo, 15 facadas, e até queimaduras.
As investigações contaram com perícias, análise de imagens, monitoramento eletrônico e inteligência, resultando no indiciamento de quatro autores, com condutas individualmente comprovadas. “A facção, acreditando que ele havia delatado, fez ele de exemplo para outros”, disse o delegado.
Entre os presos, segundo a Polícia Civil, estão o advogado apontando como colaborador da facção e outros dois integrantes do grupo que tiveram mandados cumpridos na Penitenciária Central do Estado, onde já se encontram presos por outros crimes.
A Polícia Civil acredita que Ênio Martimiano seria coautor do crime e suspeito de prestar suporte jurídico a facção criminosa há anos. Ele teria ido atender o flagrante com intuito de verificar se o jovem não iria deletar os membros da facção, ao contrário do exercício da defesa do cliente.
“Existe essa zona cinzenta, é uma preocupação que as instituições tem, é uma linha tênue que existe entre a defesa do advogado e praticar ações criminosas”, acrescentou.

Gleison
Conforme a Polícia Civil, o quarto envolvido, apontado como “disciplina” da facção, ainda está foragido e a polícia investiga o paradeiro do suspeito para a sua localização. O nome dele é Gleison Correa dos Santos.
As autoridades policia acreditam que ele fugiu, ainda na época do crime, para o estado do Rio de Janeiro. Segundo o delegado, o estado tem sido reduto para que criminosos de Mato Grosso se escondam.
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