Organizações criminosas brasileiras, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC), passaram a enviar cocaína em pasta-base ou quimicamente oculta para países europeus, onde o refino passa a ocorrer em laboratórios clandestinos, segundo a Polícia Federal e a Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA).
Segundo a EUDA, os laboratórios desmantelados no continente têm capacidade para extrair até 200 kg de cocaína por dia. As apreensões de pasta-base destinada à Europa já alcançam médias superiores a 700 quilos por operação.
Em 2024, países da União Europeia desmontaram ao menos 42 laboratórios de refino, 23,5% a mais do que em 2023. Cerca de 90% da cocaína que deixa o Brasil segue por via marítima, e o PCC administra parcela significativa dessa logística.
Como a droga chega disfarçada de cosmético
A droga chega escondida dentro do próprio produto. Em 15 de setembro, a Polícia Federal e a Bundeskriminalamt (BKA, a polícia federal alemã), com apoio de Portugal, deflagraram a Operação Anticaspa contra um grupo que escondia cocaína em cosméticos fabricados em Diadema (SP).
A Justiça Federal em Guarulhos expediu quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão. A investigação rastreou 403 litros de um produto parecido com xampu, enviados de Diadema por avião até Berlim, com escala em Lisboa.
Autoridades portuguesas retiraram um frasco da carga durante a escala e confirmaram a presença de cocaína. Na chegada à Alemanha, a polícia local prendeu três suspeitos; um quarto foi detido depois na Turquia.
A concentração dos laboratórios não é uniforme no continente: a Holanda sozinha respondeu por mais da metade dos desmontados em 2024, seguida à distância por Espanha, Portugal e Bélgica.
A proximidade dos portos de Antuérpia (Bélgica) e Roterdã (Holanda), as duas principais portas de entrada da pasta-base na União Europeia, explica por que boa parte da cadeia de refino se instalou ali, mais perto do consumidor final do que da origem da droga.
Não é a primeira vez que a PF identifica o esquema. Em julho, a corporação já havia desmantelado uma rota marítima de tráfico de cocaína para a Europa.
Outro suspeito preso em Guarulhos chegou a afirmar à polícia que recebia R$ 50 mil por caixa de cocaína embarcada em avião com destino à Europa.

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