No Atlântico, centenas de lanchas velozes e potentes, construídas sob medida para transportar toneladas de cocaína, recolhem carregamentos de embarcações que navegam por rotas comerciais entre a América do Sul, a África e a Europa, segundo uma investigação do jornal *Le Monde* em parceria com NDR, WDR, *Süddeutsche Zeitung*, NRC, IrpiMedia e *The Washington Post*.
Trata-se de uma armada invisível em meio ao oceano. Um grupo de lanchas posicionadas a mais de 1.000 milhas náuticas da costa, prontas para entrar em ação assim que o GPS sinaliza a aproximação da carga — transportada nos porões de navios de carga. Ao largo das Ilhas Canárias e da Madeira, tendo apenas a imensidão do Atlântico no horizonte, essas lanchas carregadas de cocaína permitiram que uma comunidade de fora da lei se estabelecesse fora do alcance dos radares.
"As embarcações, por vezes amarradas umas às outras em alto-mar formando pequenos habitats improvisados, são reabastecidas com água potável, gasolina — chegando a custar 300 dólares por um galão de 20 litros —, alimentos e até prostitutas, por organizações criminosas sediadas principalmente nas Ilhas Canárias", disse ao *Le Monde* Dimitri Zoulas, chefe do OFAST, o órgão francês de combate ao narcotráfico. A descrição dessa horda de navegantes, alguns equipados com armas de uso militar, inspirou uma comparação feita pelo comissário de polícia: "É Mad Max em alto-mar!" Ou uma corrida contra o tempo para abastecer a Europa com cocaína de pureza extrema.
Esses traficantes de prontidão, a serviço de cartéis latino-americanos, geralmente têm apenas a companhia passageira de baleias ou aves marinhas — exceto quando uma aeronave da alfândega se aventura por essa região conhecida como Macaronésia. Entre 9 e 19 de outubro de 2025, meios de vigilância aérea franceses e portugueses envolvidos na Operação Galgo detectaram uma flotilha de cerca de 15 dessas embarcações equipadas com motores potentes, segundo uma série de documentos confidenciais, operacionais e diplomáticos obtidos pelo *Le Monde* e por diversos veículos de imprensa internacionais — NDR, WDR e *Süddeutsche Zeitung* (Alemanha), NRC (Países Baixos), IrpiMedia (Itália) e *The Washington Post* (Estados Unidos). Foi durante a Operação Galgo que ocorreu a cena descrita acima. Cartéis internacionais de drogas estabeleceram uma rede sofisticada de pontos de transbordo em alto-mar através do Atlântico para canalizar carregamentos de toneladas de entorpecentes diretamente para a Europa, segundo uma investigação conjunta de veículos de imprensa europeus e americanos publicada pelo jornal *Le Monde*.
As operações de contrabando utilizam lanchas de alta velocidade que interceptam navios de carga maiores em mar aberto, especialmente nas águas ao redor das Ilhas Canárias e dos Açores. Essas lanchas velozes, cada uma capaz de transportar até quatro toneladas de substâncias ilícitas, levam a carga até a costa europeia.
As organizações criminosas otimizaram sua autonomia em alto-mar; algumas tripulações de lanchas permanecem no oceano por semanas, enquanto embarcações de apoio fornecem combustível, água e alimentos. Embora historicamente os cartéis preferissem lançar pacotes de drogas na água para recuperação posterior, os traficantes estão agora migrando para transferências diretas de navio para lancha. Em média, um único carregamento passa por três transferências distintas em alto-mar antes de chegar ao solo europeu.
Autoridades espanholas estimam que cerca de 600 lanchas especializadas percorrem regularmente a zona de trânsito entre as Ilhas Canárias e os Açores, um corredor marítimo agora comumente chamado de "rodovia da cocaína".
Apesar das campanhas ativas de interdição, as forças de segurança têm dificuldade em acompanhar o ritmo. Em 2025, as autoridades europeias, com o apoio do Centro de Análise e Operações Marítimas (MAOC), sediado em Lisboa, apreenderam 92 toneladas de entorpecentes. No entanto, especialistas em segurança marítima estimam que mais de 700 toneladas passaram sem ser detectadas durante o mesmo período.
O *Le Monde* relatou que as autoridades ocidentais enfrentam uma escassez crítica de embarcações de patrulha de alta velocidade e de recursos de vigilância aérea para fiscalizar adequadamente as vastas zonas de trânsito do Atlântico. Destacando uma escalada tática, os militares franceses empregaram atiradores de elite durante a "Operação Galgo" para disparar contra os motores de uma lancha suspeita de transportar drogas em águas internacionais — uma medida que, segundo analistas de segurança, sinaliza um papel crescente das forças navais no combate às organizações internacionais de tráfico.




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